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O aborto espontâneo ocorre em aproximadamente 15% das gestações de mulheres com idade até 35 anos. Esta taxa aumenta proporcionalmente com a idade, podendo chegar a 30 – 40% nas mulheres acima de 40 anos. Contudo, a ocorrência de mais de um aborto espontâneo não pode ser considerada normal. A partir do segundo episódio de aborto, deve ser feita uma investigação criteriosa para identificar a causa e tratar o problema, antes de uma nova gravidez.

Existem diversas causas de abortamento e não é apenas a idade da mulher a responsável pela ocorrência dos abortos.

1.Causas genéticas
As causas genéticas são muito frequentes. Isto significa que, se foi formado um embrião com alteração genética, muitas vezes incompatível com a vida, o corpo eliminará este embrião. As alterações genéticas são mais frequentes em óvulos de mulheres acima de 35 anos, e mais evidentes após os 40 anos. Os espermatozoides também sofrem alterações com o passar dos anos, especialmente após os 50 anos de idade. Para verificar esta possibilidade, deve ser feito exame genético do material do aborto. Em casos de alterações presentes, a chance deste evento se repetir dependerá da doença constatada.

2.Infecções na Mulher
As infecções na mulher, na fase inicial de uma gravidez, podem levar à ocorrência de aborto. Por isso, é muito importante realizar uma avaliação médica ginecológica antes de tentar engravidar. Além de aumentarem o risco de aborto, as infecções também podem levar a malformações no bebê e sequelas após o nascimento.

3.Colo Curto (Incompetência istmo-cervical)
Em alguns casos, as mulheres apresentam episódio de aborto espontâneo anterior, sem apresentar muita dor ou parto prematuro com dilatação súbita do colo uterino em período de trabalho de parto prolongado. Isto pode ser um sinal de colo curto e incompetente para segurar a gestação. Esta alteração é conhecida como incompetência istmo-cervical. Há uma cirurgia para correção eficaz destes casos denominada cerclagem uterina. Este procedimento está indicado quando a medida do colo uterino no primeiro trimeste da gravidez apresenta valores inferiores a 2,5 cm de comprimento. O sucesso da cirurgia é maior quando esta é realizada entre 13 e 16 semanas. Excepcionalmente, este procedimento pode ser feito mais tardiamente na gravidez e também fora do período gestacional.

4.Alterações na Forma do Útero
As alterações na forma do útero também podem levar ao aborto. Estas alterações podem ser: septos, pólipos e miomas na cavidade uterina. É possível investigar estas alterações através de exames de ultrassonografia e, mais precisamente, através da histeroscopia (este exame permite visualizar a cavidade uterina).

5.Alterações dos Hormônios Femininos
As alterações dos hormônios femininos dificultam a gravidez e favorecem o aborto. Ciclos menstruais curtos (intervalo menor que 21 dias) ou muito longos (intervalo maior que 35 dias) são sugestivos de uma alteração hormonal.

6.Alterações no DNA do Espermatozóide
Existem algumas alterações no DNA do espermatozóide que também podem levar ao aborto. O exame indicado para esta investigação é o teste de fragmentação do DNA espermático.Consideramos alterado quando a fragmentação é maior que 15%.

7.Fatores Imunológicos
Os fatores imunológicos também estão associados a episódios repetidos de aborto. Durante o processo de implantação embrionária, ocorre uma inflamação para permitir a fixação do embrião no útero. O equilíbrio
deste processo é mediado por diversos fatores, dentre eles destacam-se as células NK (Natural Killer). Em situações de excesso de atividade destas células, o aborto pode acontecer. Existe um exame específico para identificar esta alteração, com ótimas chances de sucesso com o tratamento adequado. A medicação utilizada deve ser administrada por via endovenosa, entre 7 a 14 dias após o início da menstruação ou 7 dias antes da transferência de embriões. Esta medicação deve ser repetida 1 vez ao mês até 20 semanas de gravidez. Os anticorpos produzidos contra o próprio indivíduo, os autoanticorpos,que surgem nas doenças autoimunes, podem também levar a ocorrência de um aborto. Um exemplo muito comum de doença autoimune é a Tireoidite de Hashimoto, que pode levar ao hipotireoidismo. Outras doenças autoimunes são: Lupus eritematoso sistêmico, Esclerose múltipla, Psoríase, Artrite Reumatóide, Diabetes mellitus, entre outras.

8.Trombofilia
Além dos fatores acima citados, as trombofilias – doenças que aumentam o risco de trombose – também são responsáveis pela ocorrência de aborto.
O tratamento em casos de abortos repetidos é indicado de acordo com a causa do aborto. Após realizar a investigação médica, a paciente é orientada de forma individualizada.